Seres banidos,
parecem punidos por crimes não cometidos.
São os excluídos.
Porém, os produzidos pelo capitalismo
selvagem ou socialismo irracional.
Seres traídos
Perdidos
Exauridos
Catadores de detritos
Com seus dedos doídos
por vezes até enregelidos e endurecidos.
Seres entorpecidos
Engolidos pelo concreto.
Cavaleiros do asfalto
Tentam reconstruir sua dignidade
com pedaços de latão, papelão e madeira
Seres exilados de sua própria existência.
Por vezes perseguidos, porém esquecidos.
Quão sombras dignas no asfalto reluzente e frio,
Conscientizam-nos de nossa pequenez,
omissão e desprezo pelos nossos semelhantes
nesta sociedade insana que partilhamos
onde predomina o desamor...

(Homenagem ao catadores de lixo)

Estilhaços reluzentes e quentes
esvoaçam e traçam sua rota mortal e fatal.
Explodem edificações e implodem corações
deixando um rastro de sangue e poeira,
gemidos de dor, suspiros de rancor e desamor.
Dirigentes imbuídos de hipocrisia
prometem a soberania e a cidadania.
Pseudo estandartes da democracia
trazem, porém, em seu bojo a tirania
Com duras vozes de comando
esses algozes atrozes e ferozes,
com voracidade e acuidade exterminam a humanidade,
buscando apenas satisfazer suas vontades e vaidades,
praticando tudo que é inverso,
pois se consideram o centro do universo.
Tão desumanos marcham em direção às suas conquistas,
dominados pela inversão com tamanha perversão.
Veem glória na tirania sem se dar conta
da magnitude de sua covardia.
Seu povo aliciado luta obediente e temente,
mesmo sem ser conivente
com as decisões dos potentes
pois é policiado continuamente.
Dirigentes, cujas mentes dormentes e dementes
alucinadamente traçam sempre
novas frentes de ataque e saque,
buscando preencher avidamente, mas inutilmente,
o vazio interior vindo da rejeição do amor antes presente!

Liberdade que te agitas nos espaços mais recônditos do meu ser,
qual vela ondulante de uma caravela ao sabor da quimera.
Liberdade que gritas e anseias por vida
qual semente em solo fértil,
sobrepujas meu pensamento como um vento;
pegas-me pela mão,
como um irmão mais velho
a mostrar-me novos horizontes
para além dos montes do quotidiano que teci como teia
qual cadeia...
Qual criança traquinas zombas dos grilhões por mim criados.
Mas de tocaia espreitas como sombra na escuridão,
para com a razão, quando houver condição,
através de uma boa ação,
solapar a opressão e a dominação.
Na verdade teu esteio não é sonho e nem devaneio.
Só desabrochas com intensidade em meio à bondade e à verdade.
Enfim, só despontas em meio à realidade!
Se em outros terrenos apareceres que não estes...
Se outros frutos deres que não a felicidade...
Certamente não és tu, ó Liberdade!

 

Transbordar palavras do meu ser...

Sem nenhum esforço...

Sem nenhum esboço...

Sem olhar no poço da inspiração...

Transpirar palavras...

Emoções contidas que doem como feridas em minha alma adormecida...

Sinto e vejo com a memória dos sentidos inebriados pela dor

Aquele quarto escuro e frio...

Ar inerte...

Fumaça fina, neblina, luz tênue...

De velas reluzentes a saudar a morte solitária...

Eu a vejo, imóvel, como fruto seco em seu leito fúnebre

Sem semente e sem polpa...

Emoldurada pela dor...

Embalada pelos prantos...

Quadro este que eu não queria ver, mas no qual lancei um olhar fugaz...

Canção esta que eu não queria ouvir, mas à qual dirigi vaga atenção...

Quarto de dor do qual me escondi, do qual tentei fugir, mas do qual jamais consegui sair...

Volto nele nos sonhos...

Volto nele nas lembranças...

Nele as correntes gélidas do passado me aprisionam...

É o meu passado refúgio e tormento...

O presente, risco e mudança...

O futuro, longínqua esperança...

 

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