Poeta; que inquietação é essa que te assalta a alma

 

Que  tão depressa te faz  correr a pena, buliçosa

 

Como a deixas pousada e  inerte, expectante e curiosa

 

Até que te volte de novo o viço de escrever, em versos,

 

A vida, que bastas vezes parece querer deixar-te à margem?

 

 

 

Nasceste para amar a humanidade, total e incondicionalmente.

 

Não obstante, sofres com ela as suas dores e desesperos

 

E,  por ela, carregues  tantas mágoas, que mal as podes suportar.

 

Ainda assim, deixas que se apurem em ti paixões alheias,

 

Amores e abandonos, que sentes como se fossem teus...

 

 

 

Ah poeta, que acompanhas a noite servindo-te da lua

 

Para passeares as tuas reflexões, deslumbres, desatinos e frustrações

 

Como as filhas da rua, que dela se servem , em hesitantes  passos

 

Para mostrar os seus corpos usados, na  ilusão que um dia aprenderão a amar.

 

Que procuras, poeta, nesssas pedras gastas de tantos cansaços?

 

 

 

Julgado e julgador, vives das complexas misturas de sentimentos

 

Em que te envolves e te aprisionas pela plena assumpção da tua missão

 

Até que se te apague no peito o sopro desta tua penosa existência terrena

 

E outro te anime para ascenderes à eternidade que Deus te reservou;

 

Partirás, então, rumo à glória que te espera no horizonte estelar.

 

 

 

E a humanidade que tanto amaste, finalmente esvaziada de ti,

 

Ficará mais pobre,  mais desprezada, mais débil,  mais exposta

 

Às ignomínias dos que sempre a exploram, a maltratam, a escarnecem.

 

Agora sei quem és, poeta! -  És a voz da verdade, da bondade, do amor;

 

as virtudes que Deus quer que vençam sobre a terra!

 

 

 

 

 

 

          

 

 

 

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Publicado em 31/102015