Rio, por que ris e segues cantando, indiferente,

entre pedras, flores, seguindo o rumo de teu leito

Por que não te quedas, sequer por um instante,

e te lanças em quedas, cachoeiras, vezes dolente,

da fonte rumo ao mar, nuvem, chuva, ciclo perfeito?

 

Rio, por que cantas em corredeira, se ouves o pranto

que jorra de minh´alma triste e se funde a tuas águas

Por que, rio, diga-me porque mais que eu me encante,

não mais se ouve de meu peito a voz do suave canto,

Por que dele não lavas e levas contigo estas mágoas?

 

Rio, oh rio de minha vida, que é, a cada momento, assim,

fonte, curso, remanso, cachoeira, mar, nuvem, chuva,

em todas tuas fases, infinitas faces, porém sempre rio,

como eu, em busca de mim mesmo, sem início, sem fim,

levado pela corrente da vida, ora límpida ora turva.

 

Rio, rio de minha vida, rio de mim mesmo, somente rio,

ora ouço tua voz cantante e cesso meu infindo pranto,

mergulho em tuas águas, reencontro-me, menino vadio,

enlevado com tanto encanto, canto contigo da vida o canto

Sou fonte, oceano, chuva, sou rio. Não mais choro... só, rio!

 

 

 

 

         

 

 

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Publicado em  03/01/2017