a idade

a idade

 

Baseado na leitura de:

Pontos de vista de George Carlin sobre envelhecer

Já se faz distante meus primeiros anos

onde os contava pelos dias,

até por horas ou momentos...

Tal o furor que passassem rapidamente.

Tinha milhões de sonhos

desejos infindos borbulhando.

E o tempo parecia se arrastar lentamente

fazendo pirraça nos meus dias.

Tola ilusão a minha!

Achar que, com os anos,

tudo aconteceria.

Era assim que eu pensava...

Por isso contava e contava

num desespero atroz a cada dia.

Quando vi, passaram vinte,

e um impacto de surpresa

que me fez diminuir a contagem.

E a roda da vida se tornou mais rápida,

trazendo situações implacáveis

e momentos inexplicáveis.

Num susto cheguei aos trinta

com suas marcas inesperadas

e estórias inesquecíveis.

Não demorou pros quarenta bater à minha porta

e talhar meu rosto,

fecundar meu coração

com lembranças passadas.

Apresentaram-se então os cinqüenta:

Com certo cansaço

Uns tantos marasmos.

E, num repente, os sessenta

encostou-se a mim de resvalo...

E eu já estava desesperado!

Já me negava a contar

pois o tormento se agigantava.

Eu estava perdendo tempo

e isso me aterrorizava!

Vieram então os setenta

e muitos descasos.

Tinha as mãos trêmulas

o corpo débil,

tão enxovalhado de marcas,

que parecia peneira,

ou um móvel velho metralhado.

A contagem já fora esquecida

Até lembrar-se de coisas de agora

Era, às vezes, custoso.

Não sabia quanto anos mais eu tinha;

só sentia que era tudo regressivo agora;

e a contagem já não tinha sentido.

Foram-se os anos...

Vieram os momentos com tudo.

A vida brincou de horas comigo:

Tirou de mim a folha verdinha.

Deixou-me a amarelecida;

pronta para ser caída.

 

18/04/2009

 

 

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Publicado em 02/07/2012