Quero uma amante!
Que tenha uma sensibilidade aflorada...
Ainda que fosse uma errante,
me enxergasse por dentro e mais nada!
Quero uma amante!
Daquelas com olhos de muita alegria...
Que me deixe a impressão que, d'antes,
já fora minha um dia!
Com mãos que aquecem e sábias palavras...
Que possam me erguer de qualquer tombo!
(Bendita seja!)
E que me leve ao amor em sublime morada!
Quero uma amante!
Um anjo sem rosto e idade...
(Uma mulher apenas! )
Desprendida do ter,
de qualquer tola vaidade!
Que me ofereça o que tenha
e queira de mim na mesma medida!
E se fora perdida a carne,
sobra-lhe a alma de toda polida...
Que sorria comigo...
Renasça a cada encontro acontecido!
E, quando chorarmos, seremos unos,
teremos os ombros divididos...
Que eu a leve no colo...

Quero uma amante

Com o cuidado de quem carrega uma pedra
preciosa!
E enfeite seus cabelos, não importa se grisalhos,
com coloridas rosas...
Faça-a toda primavera,
com cheiros e cores!
E na realidade o sexo que pudera
não acontecer...
No imaginário nosso se revela!
E caso acontecesse...
Fosse de almas comprometidas!
Sabedoras da carne efêmera,
viajante de outras vidas...
Quero uma amante!
Sem rosto ou idade, cor ou raça e
que pense assim como eu...
Que seja bandeirante,
de minha alma que jamais alguém conheceu!

 

Quando escurecer...
Não te sintas sozinha!
Etérea viajará a minha alma
ao teu lado, amada minha...

Tua pele beijaria docemente
no sereno manso sobre o teu rosto...
E, quando fosses dormir, em tua cortina
seguiria no vento fresco, a te guiar no mês de agosto!

Quando escurecer...
Terei mil olhos nos pirilampos,
mãos de muitos manacás!
E se preferires lábios de violetas,
para que tu possas beijar...

Braços de chuva quando quiseres
te banhar...
Com cheiro de chão molhado,
clarão num rio serpenteado com
meus olhos de luar!

Serei estrela no firmamento!
Estarei no cosmo em qualquer tempo...
Fartando-me de eternidade!

Quando escurecer...
Estarei dentro de ti!
Na fé inabalável de um inevitável reencontro

Esta noite eu te espero, minha poesia...
A janela já se encontra aberta
para que tu entres e me possuas!
Sou teu amante de alma inteira e
que te chama nua...

Vem!
Beija meus lábios com versos tantos...
Cubra-me de magia e encanto,
por esta noite estrelada!
Beija, se puderes, meu pranto,
com saudade da minha amada...

Chega e cobre meu peito
com o abraço dos poetas perdidos...
Faça de minha cama o teu leito
e durma esta noite comigo!

Sorri da minha dor...
Escuta meus contidos gemidos,
enquanto abusa de mim sem pudor,
ao canto do vento perdido...

Esta noite é nossa e de mais ninguém!
Ainda que o amanhã esboce
no frescor do sereno, que mostra
os raios do sol além...

Goza em mim perdidamente
em versos incontidos!
Faze-me devasso, amante, menino...
Poeta perdido!

Até que em ti eu me reencontre
e pouse nos teus braços a minha verdade!
E construa, assim, no imaginário a ponte,
que me levou no ontem, cheio de saudade...

Ah, tempo! Faça-me esquecido!
Deixe-me nos braços da noite.
Melhor seria nestes lábios em que pouso minha paixão...
Ah, tempo! Faça-me esquecer de que
amanhã estará partido e que possa
ser do hoje uma ilusão!
Deixe-me curtir um pouco mais o
sorriso dos amigos,
antes que se despeçam para o futuro,
onde a vida nos cobra a luta insana,
de ir vencendo nossos muros .
Deixe-me um pouco mais escutando
a sinfonia dos pardais sobre os telhados
da minha vizinhança,
e que um dia acabarei deixando no amanhã
com minhas andanças!
Ah, tempo ! Faça-me esquecido,
caminhando na praia de areias brancas.
a escutar o mar a mostrar-me nos rochedos os seus gemidos!
Deixe-me um pouco mais apreciar o pôr do sol,
gigante bola vermelha no horizonte enrubescido...
Não sei se amanhã estarei em terra incerta,
e na eternidade cumprindo os meus serviços...
Deixe-me um pouco mais a sentir o vento em meu rosto,
como se não tivesse comigo qualquer compromisso!
Olhar meus filhos a caminho da escola,
ficar um pouco mais no abraço que deles recebo...
Durar um pouco mais a nossa partida de bola
e em meu rosto a ternura dos seus beijos!
Ah, tempo! Faça-me esquecido,
nas longas conversas com minha mãe,
nas histórias contadas por meu pai!
Com essa sensação de amparo que ainda tenho,
quando os vejo em meu velho lar...
Ah, tempo! Amanhã só Deus sabe!
Eu os espero ou eles estarão a me esperar?
Deixe-me um pouco mais na sua
pressa na qual vejo...
minhas lágrimas chorar!
Amanhã tudo será passado,
tudo estará acabado,
Senão a luz deste luar!

Desde os primórdios da existência terrena
eu a amo.
Você não percebe meu amor, estamos juntos
há muito tempo e assim muitas reencarnações
temos vivido...
Já olhamos para as mesmas estrelas, a mesma
lua de muitas vidas.
Das cavernas saímos primitivos!
Andamos por toda estas terras e matas,
com certeza brindamos o descobrimento
do fogo...
Quando o homem imaginava um fim
da vida,
estamos nós aqui de novo!
Não é casualidade nos reencontrarmos
e neste mesmo círculo, estarmos renascidos...
Terá um fim, amor de mim,
quando nossos compromissos se fizerem
cumpridos!
Na espiritualidade trabalharemos,
junto a legiões de espíritos de luz...
Lá o amor sentiremos,
de mãos dadas seguiremos,
no comando alegre de Jesus!
Não se assuste longe de mim e
nem tenha medo do agora!
Com o tempo, há de voltar para mim,
como fora minha um dia, outrora ...
Os braços que hoje a amparam,
fazem parte do nosso quadro evolutivo.
São compromissos também assumidos
em nosso círculo reencarnatório,
que hoje, pagamos!
Saiba, meu amor:
você é minha e eu sou seu.
Desde os primórdios da existência terrena
nos amamos!

Meu Deus, como eu te amo !
É difícil imaginar
meus olhos,
sem o teu olhar !

Minhas mãos sem as tuas.
Teu corpo colado ao meu ...
Em minha mente figuras
do amor que Ele nos deu !

Meu Deus, como eu te amo!
Que de mim mesmo me esqueci.
Para viver você , minha religião ,
minha fé ...
E eu viver em ti ,
como vive a águia no penhasco,
o peixe no ribeirão,
as flores nos campos ...
Vivo eu,
desse amor o encanto,
que é tua criação !
De querer , Senhor ,
mais que tudo este amor,
porque sou só alegria !
E como teu filho ,agradeço
a vida em recomeço,
quando sem fé eu morria.

Fé por sentir em mim
esse amor de alma ,
que me busca e quer !
Deus , como eu te amo !
Deus , como eu amo esta mulher !

Ah! Essas brisas que me tocam...
Fazem-me companhia, certamente!
No crepúsculo que, no horizonte, o sol invoca,
o final do dia a cair, suavemente...

Ah! Essas brisas, às vezes, marinha...
São amantes, constantemente,
a brincarem nas areias quentes e branquinhas,
nos verdes cabelos dos coqueiros, num repente...

Ah! Essas brisas perfumadas e notívagas...
São moçoilas a bailarem pela madrugada!
Bailarinas das "damas da noite",
cafetinas de beira estrada...

Ah! Essas brisas trazidas do barro...
São mulheres humildes lá do sertão,
a trazerem com elas, no assovio do carro de boi,
o cheiro úmido do chão...

Ah! Essas brisas, às vezes, brejeiras...
Trazendo o cheiro do café novo coado!
Confundem-se, de vez em quando, com as das flores das laranjeiras,
a viajarem desavisadas pelos prados...

Ah! Essas brisas cobertas de saudade...
Os meus cabelos tem beijado!
Fui com elas em suas andanças,
aos lábios do meu bem amado...

Ah! Essas brisas atemporais,
mensageiras do cosmo estrelado...
Ainda que sigam sempre passageiras,
levam-me junto, comumente, ao passado!

Ah! Minha poetisa, tu não imaginas...
Calam-me qual beijo, atiçando os meus desejos,
os teus versos e as tuas rimas!

Ainda que não saibas...
Visto então minha poesia!
Num dueto que o segredo cala,
deste amor em utopia...

Os teus olhos imagino...
São luzes de dois brilhantes holofotes!
Tuas vestes descortino,
o teu corpo são de estrofes...

Ah! Minha poetisa, não percebes?
Que a minha poesia procura a tua...
São tiradas de nossas almas,
pelas noites tantas cruas?

Não me aches desrespeitoso,
sei que tens um compromisso!
Uma casa e esposo, tua vida,
o teu ofício...

Quanto a mim?
Nada mais que poesia,
que me empresta um triste vício...
Amar teus versos e nada mais!
Um amor sem compromisso...

Até que te cales algum dia!
Sem palavras, sem poesia...
Serei viúvo dos teus versos,
ainda que com carta de alforria...

Para pousar em outros versos,
que alguém escreveria...
E se não me encantassem,
eu também me calaria!

Morrerias tu,
morreria eu!
Num triste adeus...
Também morreria a poesia!

 

 

 

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Publicado em 30/05/2013