Para onde correr, meu Senhor?

Conheço muito pouco além do meu umbigo.

E este pouco ainda devasto,

tornando-me meu próprio inimigo!

 

Hoje vejo o mar invadindo a cidade .

Este que apenas contemplava dos portos!

Devastando toda uma comunidade,

trazendo milhares de mortos.

 

Tenho medo de ligar a televisão!

O mundo sucumbe em toda parte.

Dá Ipobe qualquer devastação,

da vida imitando a arte!

 

Tragédias para todo lado!

Indústrias que seguem beijando o céu.

Governantes que se fazem de cegos,

à sombra do próprio chapéu ...

 

Um progresso desenfreado

afrontando a própria natureza .

Somos um exército armado,

a matar tanta beleza !

 

Tsunamis com tremores de terra...

Tentam encontrar explicações:

"São fendas na crosta da terra",

escondidas de nossas visões!

 

E para debaixo do tapete,

escondemos nossas ambições!

A culpa é do próprio planeta,

nos cobrimos de ilusões.

 

Carros são arrastados,

casas inteiras destruídas...

É como se o homem perdesse a noção,

da importância da própria vida !

 

Rios que secam, geleiras aos poucos minguando.

As matas que ontem nos davam o próprio ar,

que pena !

Vamos aos poucos desmatando!

 

Encostas que engolem casas,

o tal problema habitacional...

Político que depois se embasa,

em desculpas esfarrapadas no jornal!

 

O lixo que não colhemos,

alimentando a futura tragédia!

Depois choramos o que perdemos e

a Deus a sorte se entrega !

 

Para onde correr ?

Sou dentre tantos um covarde!

Hoje que não tenho o poder,

sobre a natureza em alarde.

 

Choro desesperado,

qual filho pedindo colo.

Amanhã tudo passa e será ignorado,

piso, finalmente, em firme solo!

 

Volto com minha moto serra,

as minhas caldeiras esfumaçantes.

Milhares de carros poluindo sobre a terra,

a mesma devastação d'antes!

 

Jogo meu esgoto no rio,

a bem de um progresso desorganizado.

Fábricas entrando no cio,

depois a parir os culpados !

 

Elejo ainda os velhos lobos,

sou da matilha participante!

Troco por uma cesta básica,

meu voto de ignorante...

 

Quando estou no poder?

Estou acima de Deus!

Junto-me a legião de descrentes,

torno-me mais um dos ateus.

 

De volta à televisão,

como se nada tivesse acontecido!

Mudo os canais de notícias,

que nos castigam o orgulho ferido.

 

Censuramos a nós mesmos ...

O futebol é mais importante!

A novela que mostra o mundo irreal,

seguimos no quartel de Abrantes.

 

 

 

 

 

 

         

 

 

 

 

 

 

 

 

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Publicado em  14/03/2011