PARÁBOLA DOS DEGRAUS

 

                                           Ariovaldo Cavarzan

 

 

 

Ao galgar uma escada, movimenta-se um pé

enquanto o outro se solta do degrau já pisado.

Não se consegue ascender, sem liberar-se os pés

de sítio já palmilhado.

 

Impossível chegar ao topo, sem ofegar,

sem transpirar e às vezes até chorar,

sem desgrudar o outro pé de degrau mais embaixo,

eis que escadas são desafios a enfrentar,

metálicas, de pedra ou madeira,

feito vias de crescimento,

a nos servir pela vida inteira.

 

Às vezes seguras, outras nem tanto,

eis que também podem ser rústicas,

mal ajambradas, tortuosas, envelhecidas,

em caracol, ou quebradas, escorregadias,

esburacadas, abandonadas, frias, restauradas,

altas, baixas, espaçosas, estreitas, estiradas,

ou sem qualquer proteção, sem sequer um apoio,

que se possa agarrar com a mão.

 

Se deixadas ao léu, sem qualquer compaixão,

ao sabor do tempo cruel, acabam sozinhas,

num canto, embora ao alcance da mão.

 

Quando em jardins repousadas,

ao lado de trepadeiras, se fazem vestir de flores,

do primeiro ao degrau derradeiro,

a provar que de dores e amores,

se fazem o bem ou o mal,

eis que são entremeios de alcance,

do que de mais alto nos faz inteiro.

 

Ascenção - desafio difícil, pede esforço e progressão,

abandono de etapas idas, deixadas em degraus percorridos mais perto do rés-do-chão.

 

Seguras só mesmo as rolantes,

eis que de calmas subidas,

de pés colados ao chão,

sem riscos de enganos de lidas,

sem esforços, sem luta, nem emoção.

 

Vida é escada comum, trilha escarpada a se escalar,

reclamando esforçada subida,

para que em seu patamar

se deixem cair respingos de dor e fadiga,

preparando futuro caminhar.

 

Benditos pés,  libertos de degraus já pisados,

sem frustrações nas chegadas,

em retas finais de caminhos

ainda não palmilhados.

 

Ao final da escalada, aportarão a um templo,

um pódio, um monumento,

um recanto de luz e calmaria,

não a um sótão, cheio de empoeirados rejeitos,

que é troféu reservado

a quem não levou sua cruz com jeito,

nas lutas de cada dia,

em dores e amores desfeitos.

 

Em gradações se constrói o saber,

em escalas, melodias,

em ascenção se enriquecem jornadas,

em evolução se erigem vidas,

e em degraus se fazem subidas.

 

10/10/2009

 

 

 

 

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Publicado em 20/10/2009