DENSAS BRUMAS

 

Densas brumas do tempo desprendidas

lembram a quietude da noite

contendo a ternura dos teus beijos

despertando o sol noturno dos momentos de aconchego.

Nesta vontade de vê-la

acordam instantes esquecidos

e no perfume das rosas orvalhadas

o sentir de coisas já perdidas.

A noite embala o desconsolo do poeta

num misto de saudade e tristeza

desenhando em letras disformes

recados que o vento esqueceu de entregar.

O tempo transformou em pó o ontem

e o hoje anuncia que resta apenas

a cantiga desses versos

eternizando a hora no espaço vazio.

 

 

 

A PIRATA

 

Nos momentos rebeldes da minha insônia

 

sinto uma necessidade de posse

incorporada à fantasia que permeia a volição

hipnotizando meu olhar implacável.

Vejo-te, pirata navegando em mares bravios,

timoneira de uma sensualidade explícita

 

 

 

VEM!

 

Sem o medo das faiscantes tempestades,

quero rasgar tuas roupas, jogá-las ao mar

num gesto de ardente sensualidade.

Quero-te nua sob a luz do lânguido luar

ouvindo o vento sussurrar cantigas de fogo e amor.

Dança a dança de uma pirata erotizada,

joga fora o tapa-olhos,

deixa fluir todos os delírios

pervertidamente louca, delirante de tesão

explodir os orgasmos movendo-se sinuosa.

Navegamos na direção de não sei onde,

sem norte ou sul – me faz criança e sorri.

É tempo de voar nas asas do vento,

transformar as fantasias no real,

os sonhos no eterno.

Faça um risco pulso a pulso,

ponha um beijo na minha boca,

crave a espada no chão do convés,

mostre aos Deuses um pacto de amor

e sangue.

Estamos aqui sozinhos, saciados.

No olhar os mares, o sal, a maresia,

cansados, corpos molhados,

trocamos afagos com furor e paixão.

Só os amantes têm essa exata dimensão do amor.

 

 

FALAS DE AMOR

 

Na curva do teu abraço,

enlaça o meu corpo

que vibra de desejos.

A vida é uma jornada

infensa à potência do vento

que toca a música correndo ao coração.

Na misteriosa sinuosidade de teu corpo

um ser todo clama emoções,

translúcida matéria-prima

de intensas volúpias.

Uma estrela escreveu

um sorriso de encantamento

e me dizes todo amor

no rastro de perfumes

que aconchega o ninho

numa silva aberta em flor

exuberante como o sol.

Que encanto é esse,

na rosácea de teus lábios

numa teia de um céu interminavelmente azul

no rastejar do leite da lua e o suor do sol.

Sem ti não saberia viver?

 

 

 GRIFOS DE AMOR

 

Silenciaram céu, terra e mar,

soluça o vento nas águas.

Há vida na beira da praia

e o meu verso é inconsistente

à procura do canto do pássaro

perdido na imensidão do azul.

Onde andas que não me escutas

nesta hora tão sombria

que o nada cansado de falar por mim

grita agitado revolvendo sonho,

alma e pensamento até a exaustão.

Volta aos meus braços, sinta o coração

tecendo a canção que seduz

falando alto de tudo e todos

dizendo que vou te amar.

Desperta meu mundo ausente

nascido do teu sorriso,

vamos traçar juntos uma estrada

plantar uma rosa escarlate,

cantar a música dos amantes

que arde no encanto deste amor.

 

 

ESTRELA CADENTE

 

Estrelas!

Como seria bom perscrutá-las,

rabiscando no espaço cósmico

desenhos do tempo

entre ventos e correntes,

tecendo cantos que apaga a solidão.

Dois cálices à meia luz

transbordam gotas festejando

o ritual mágico dos amantes

além dos sonhos lúdicos,

doce prazer de êxtases.

A alegria do amor envolve

a beleza que floresce com à luz,

em sua rota de mistérios,

mas se não for regado no seu íntimo

será como o chispar

de uma estrela cadente.

 

  

 

LUA DE AMOR

 

Majestosa... Cheia de luz!

Lua cheia que mira além do olhar

Da solidão, da saudade

E do encanto do amor

Ah! Essa lua...

Que vagueia no espaço com mirar maroto

Lábios com desejos das noites ardentes

De toda estação

Traga pra junto de mim, meu amor!

Que se banha nas águas verdes do mar

Acalenta meu sonho em ânsia crescente

De íntimo gesto

Me faz prisioneiro

dos seus beijos fogosos

Deposita no meu coração

O canto do manto da chuva

Que me provoca e faz pensar

Que tenho um amor crepitante!

 

 

REVELAÇÕES

 

Ontem à noite,

o sangue quente fluía nas veias,

nós fizemos amor, sem perceber o tempo,

nas posições mais excitantes

Pousou nua para meus olhos sedentos,

o desejo explodia no prelúdio do êxtase

sem preconceitos,

livre, sensual, abrigo de sonhos,

rubor na face, toques suaves

corpos saciados, ,

suor que ferve e aflora o líquido

que verte das entranhas,

restos de volúpias ardentes

 

 

 

DE REPENTE

 

um beijo molhado, quente, lúbrico

me faz vaguear mais e mais

dentro do teu ventre em chamas

que se renova nas carícias

inexploradas do amor.

 

 

 

A POESIA

 

Não cabem nestes versos ternos,

áridas palavras

Fica o abismo de palavras ásperas

no uso destes registros sonhados,

trespassadas de não

No fundo,

o poema escuta silente tristeza

oculta na mordaça da mudez sufocante

Do poema emana a brisa

que sente o som da tarde, que ouve

o que cantamos

Um verso que não se escreva,

nem se sinta, mergulha no limbo do fim

e na máscara do nada

O poeta lapida a palavra no granito

e entrega à sina impregnada de delírios

e metáforas que se fundem

carregadas de amor

O poeta não termina seu poema,

simplesmente interrompe,

porque outros poemas nascerão,

já que o amor se desnuda nos seus dedos

e o amor não tem definição,

é cravo, rosas, espinhos, espelho de vidas,

invólucro de sentimentos.

 

 

 

              

 

 

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Publicado em 18/04/2020