TEMPO

 

O tempo é estático,
Somos nós que passamos.
Os amores não acabam
Somos nós que de amores mudamos.
As flores são eternas
Nós que a vemos murchando.
Todo dor é perene
Somos nós que nos acostumamos.
Toda hora é para sempre
Pena, que sempre abreviamos.
Toda chegada é partida, e é definitiva.
Somos nós que nos ausentamos.
Todas as lágrimas são repetidas
Somos nós que de novo derramamos.
Todas as respostas estão prontas
É nas perguntas que erramos
Todos os mortos estão vivos, e serenos
Fomos nós...que morremos.

 

 

 

PÁSSARO PRETO

 (nada é como antes).

 

Black bird

As tempestades virão

De um céu claro, verão

Black bird

Underground visão

destroços dos castelos

segredos dos moinhos

teares de canção

black bird

não se iluda

o rumo nunca muda

mudam as percepções

não há Deuses nem calabouços

o destino é uma parte do todo

o todo é imaginação.

black bird, black bird

cante e esqueça

pois os cantos também passarão

Pássaro preto

sing! Forget!

the songs also will pass...

 

 

 

 

HOJE NÃO TEM POESIA

 

Mas tem café, bolachas

Pão com manteiga.

Uma receita de bolo

Que era de minha avó -

Hoje não tem poesia,

Sobre a mesa, geléia, torradas macias

Toalha de antigo bordado encontra

O passado sobre a cadeira vazia.

 

 

NOITES DE POESIA

 

Tenho nas mãos uma lua,

e duas moedas antigas

Brinco de jogar pedrinhas

A noite não me traz nenhuma promessa

Sei onde deixei minhas preciosidades

Poucas e verdadeiras relíquias

E que alcançá-las, tocá-las, não posso mais.

Já não me pertencem

O tempo não é senhor de tudo

O tempo não apaga tudo

Até muda o humor das marés e dos homens

Cercas e soberanias, domínios e propriedades

Envelhece aquilo que lhe é permitido envelhecer

mas há pinturas em minha pele

Há segredos nos meus olhos,

Há muita coisa em meu coração

Intangíveis, por isso minhas

E só minhas são.

E só minhas são.

E com elas, em noites de poeta e poesia

Brinco de jogar pedrinhas

Com duas moedas antigas

E a lua que tenho nas mãos

O tempo?

Que passe ou não

Por mim em vão.

 

 

MELANCOLIA

 

Hoje acordei assim,

um pouco longe de mim,

muito distante de quem queria,

coração vai se embebedar de versos

e petiscos de melancolia.

 

 

 

VIDA VISTA PELA JANELA

(cenas de um tempo sem sentido)

 

Malas desfeitas, réstias rosáceas

Bordam tons diversos na cortina

As lágrimas descem pelos sinos,

Sons de pássaros, cristais de asas

Partem as porcelanas do destino

No poente da tarde azulada.

Outonos descansam nos ipês

Flores amarelas da estação passada.

onde a vida dança e chora nas folhas mortas

nas silenciosas calçadas, entre rosas,

 

 

 

POEMA À ÚLTIMA TARDE

  

Dentro da palidez dos temporais

um sol vermelho de corais e flores

pousa nos beirais de alguns olhos que ainda podem ver

tantas vozes a anunciar um outro ciclo

Presas dentro das espirais do tempo

Grávidas de vida, ávidas pelo grito

Devorador de silêncios e mitos do paraíso

Rasgando as faces e crenças,

Libertando manadas de anjos malditos

Que cuspiam navalhas sobre os vivos

Dentro da palidez dos temporais

Quando o sol era mais que vermelho

E mortais eram os corais e flores

 

 

 

 

 
 
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Publicado em 09/11/2011