O VELHO... A SOLIDÃO... O MAR...

 

Qual um sonâmbulo, o velho olha o mar;

ensimesmado e embevecido em solidão

vai lembrando o passado ora presente

sentindo no presente, logo, logo o sem futuro...

Saudade maltratando um corpo sem forças

mas deixando a memória viva para amar;

como a sair em um só repente da escuridão

pois viver é sentir pulsar o coração contente

E ao repassar a vida, ele vive, sai do escuro

a lembrar velhos tempos de belas moças...

 

E tais lembranças aliviam a solidão sofrida

pois já não bate tão forte o velho coração!

Tem o prazer de ver o mar beijando a areia

e se imagina Netuno cercado de sereias!

Lembranças do passado não mais o maltratarão;

quer voltar mesmo é para seu triste recanto,

escolher um disco e ouvir uma seresta

que cante amores, através de mavioso canto...

 

Assim, a tristeza, a solidão e o olhar vazio

irão se esvaindo em um som perdido no ar

Não precisará olhar a areia chorando pelo mar

A saudade matadeira talvez fuja de mansinho

com o calor do lar a aquecer seu corpo frio

 

 

 

FIM DE TARDE

 

A tarde está fria.

O vento açoita meu rosto

Chorei horas a fio tomado em desgosto

O tempo passou e quase nem o notei

Ao notá-lo agora me senti um rei morto.

Teus cabelos embranqueceram

Os meus ficaram grisalhos

Da infância as saudades são tantas

Que até sinto vontade de pular amarelinha

Não dá mais.

Vou remoendo lembranças, quantas!

O corpo embalançando.

Estou na janela

Não é uma janela qualquer

É a janela por onde vejo a vida

e espero a vida passar, curar feridas.

Um tempo se foi, outro chega... agora

pois a tarde está fria e o vento açoita meu rosto

enquanto lá fora está um jardim sem flores...

 

 

 

RUGAS E RUSGAS

 

O tempo vai passando, se arrastando

Como a cobra se arrastando pelos chãos

Ao se arrastar, deixa nesse arrastar pequenos sulcos

O tempo também se arrasta deixando nos rostos: sulcos

São as marcas dos caminhos vividos por tantos chãos!

E vida é para ser vivida mesmo havendo nos rostos rugas

E que não sejam estas rugas, rusgas de indefinição

Rugas e rusgas se diferem e não é pelo s não

Nada na vida é definido ou indefinido

O futuro hoje será passado depois do amanhã

O presente de agora ontem foi futuro

Tornar-se-á passado, não demora a ser esquecido

Ou apenas será um grito parado no ar ou no escuro

E lá se foi a esperança, veio a desesperança, a saudade

Do que quis ser e não foi, mas se foi com tudo

O tempo vai passando, se arrastando...

 

 

PSIU... SILÊNCIO!

 

O meu segredo terá o teu silêncio

O teu segredo terá o meu silêncio

Não contarei que namoravas na esquina

Não contarás quantas meninas eu tinha

As ‘artes’ que fizestes um dia: o meu silêncio!

Silenciarás as ‘artes’ que pratiquei algum dia...

E de silêncio em silêncio guardaremos segredos

Uma paixão que se foi: ah! Uma esperança perdida!

Quem sabe? Uma mentira sentida!

Dessas que dizemos na vida...

Teu silêncio, meu silêncio

e só o silvar do vento na fresta da janela...

Vento a esvoaçar nossos brancos cabelos

e a balançar o amarelecido quadro na parede!

Depois, nós estaremos sós no quarto

e em silêncio... relembraremos...

As paixões vividas,

as crianças que fomos,

mas hoje ainda somos

A vida em retalhos,

os retalhos da vida

onde tudo passa no encanto da noite

então sonharemos...

 

E ao sonhar lembraremos,

ao juntarmos nossos ‘cacos’ do passado

Neles estarão pedaços, pelo chão espalhados,

do que chamaremos saudades

Talvez mais segredos aflorem, do antes,

quem sabe do agora e depois!

Mas todos guardam segredos,

para não contar pra ninguém

E vão ficando em silêncio,

silêncio que a todos convém.

Mas se alguém um dia falar demais,

que não revele segredos

Pois alguma voz se levantara sem medo dizendo:

psiu... silêncio!

 

 

DESNUDO VOCÊ

 

Desnudo teu corpo

Como desnudo t’alma

Sem medo e com graça.

Nada de ódio ou desgraça

Que sequer passem por perto

A tristeza, a saudade, o tédio...

E ao nos amarmos é vero

Teremos o melhor remédio.

Com o amor eu desperto

É quando tudo está certo.

Com as mãos em concha

Acaricio os teus seios

E satisfaremos nossos anseios

Meu ser no teu ser enredado

Com um prazer nunca dado...

Em noite quente bem quente de amor

Desnudo teu corpo, desnudo você

E neste torvelinho de altos e baixos

Eu mordo teu corpo, eu mordo teus lábios

Então, demorará só alguns meses

Para o fruto desse amor

A correr pela casa mil vezes. Então...

Desnudo teu corpo, desnudo você...

 

 

 

DIA DA POESIA

 

Escrever versos com alegria

É algo que me faz bem

Pois através da poesia

Elogio rosas e marias

E ao mundo inteiro também

Faço poesias para a mulher amada

Escrevo versos até na madrugada

Falo do sol e da lua

Da chuva caindo na rua

Do pássaro que vive cantando

Das árvores se balançando

E hoje no dia da poesia

Homenageemos as rosas e marias

Por esse mundo sem fim

Seja abençoado o poeta

Com as suas belas poesias

No dia da poesia enfim

Façamos a nossa festa...

 

 

LONGE

 

Não muito longe daqui

Existe um lugar

Tão lindo, mas tão lindo

Onde fulgura um azul

Um azul infinito

Olhando bem, ninfas o rodeiam

Refletidas qual o mais puro diamante

São as estrelas da minha vida

E por onde ali passeiam

O amor, a lembrança e a saudade

Mas, não muito longe daqui...

 

 

FIM. APENAS FIM

Quando um adeus não mais significar nada

Estarei envolto nos braços da matadeira saudade

Como a noite se despedindo triste do dia...

Quando não mais tiver os beijos teus

Meu coração talvez nem tenha forças

Minha garganta nem poderá bradar: acorda!

Nem ouvirei a sonata que ouvia ontem....

Quando um adeus não mais significar nada

A história teve seu fim e apenas existirá o fim...

A estrada de uma vida terá caído na encruzilhada

Encruzilhada onde todos se perdem sem saber aonde ir

São tempos de se perder, achar, viver, sofrer, morrer...

Quem sabe? Tempos perdidos através de perdidos tempos.

O passado estará vivo?  O presente será real ou irreal?

E o futuro?

Bem, o futuro ninguém sabe, a ninguém pertence?

Apenas ficará guardado na memória e tristemente.

Quando um adeus não mais significar nada

Os romanos diriam empolados: Alea jacta est...

Quando não mais tiver os beijos teus

Também minha sorte estará lançada

No céu serei apenas uma estrela cadente

Enquanto me olhas de forma conivente...

Então um adeus não significará nada.

Pois nada, absolutamente nada terá sido minha vida.

E eis então o fim.

Apenas fim.

 

 

 

 

 

                   

 

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Publicado em 29/04/2012