As cinzas jogo ao vento

 

nas noites mal dormidas e cheias de tormentos,

 

que acabaram com o jardim dos dias meus.

 

Restou tão pouco!

 

Quase nada...

 

Apenas um esfacelar de mim mesmo

 

jogado num canto qualquer...

 

Quase morto.

 

Tantos sonhos afogados por essa realidade;

 

essa que tolheu tudo que havia,

 

deixando apenas momentos frios

 

que me rasgam aos poucos.

 

Horas e horas na penumbra

 

querendo renascer de novo.

 

No entanto, só uma inércia me abriga

 

contagiando todas as minhas arestas.

 

Nego-me a levantar meu corpo.

 

Estou pesado nesse fardo

 

e minha alma está cansada e aborrecida.

 

Vou definhando aos poucos

 

nessa espera que nunca acaba,

 

nesse mundo que desaba sobre mim

 

destruindo todas as minhas vontades.

 

Fecho os olhos querendo botar fim

 

nesse mendigar que se tornou minha existência,

 

mas nem isso consigo.

 

Falta-me a força necessária para tornar  

esse arremate concreto.

 

Enquanto isso permaneço consumido

 

até que um dia tudo se acabe,

 

até que cambaleante eu tombe

 

e eu fique ali, assim, por horas

 

esperando que alguém me encontre.

 

 

(17/10/2007)

 

 

 

 

 

 

 

 

Pai, arranca de meu peito

 

esta dor de ser tão só!

 

Corte as amarras

 

que me prendem à vida

 

e me dê asas para voar pelo infinito.

 

Me liberte deste cansaço

 

e deste peso imenso

 

que sinto no coração.

 

Me livre desta angústia

 

que impregna tudo ao meu redor.

 

Me liberte, Pai,

 

e me dê asas para voar...

 

Quero conhecer outras plagas,

 

tomar outros rumos,

 

viajar ao lado do vento

 

por sobre os mares...

 

por densas florestas,

 

entre os picos de altas montanhas...

 

Quero voar até sentir que a dor ficou prá trás...

 

Depois, mergulhar  nas águas das cachoeiras,

 

ir até o fundo dos rios...

 

sugar o néctar da liberdade...

 

encontrar a paz

 

e não voltar jamais!

 

  

(22/11/2007)

 

 

 

 

 

 

         

 

 

 

 

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Publicado em 02/11/2011