NÃO SOU EU !

 

(J.G.Martinez)

 

Não sou eu este homem sério

que todos dizem que sou !

Nem trago tantos mistérios,

no tempo que se passou.

 

Não sou este que mostra o

rosto sizudo.

Nem trago dentro de mim

pesado orgulho...

 

Sabe o que é, gente?

Se pudessem ver cá dentro de mim,

Haveriam de enxergar um menino entre

os jasmins!

 

Poucos talvez consigam...

Talvez um amigo verdadeiro

Entra em nosso avesso e nos conhece

por inteiro!

 

Que pena!

É fútil e besta esta casca, colegas meus...

Onde a aparência mostra o que

não sou eu!

 

Pudessem ver-me cá dentro,

Brincando nas ruas de um tempo,

Provando das frutas do pomar,

saltando as ondas do mar!

 

Aqui está a criança que nunca envelheceu.

De farto riso por coisas bobas,

Basta um bailar no amanhecer

das mariposas ...

 

Aqui ainda está o menino que

Se banha nos riachos de água fresca

E solta pipa entre os morros...

Que gargalha do tiziu e suas piruetas,

Eta passarinho bobo!

 

Não sou eu este homem sério

Que todos dizem que sou !

Se pudessem ver  cá dentro de mim,

Brincando com  as flores do alecrim...

 

Se vissem meu sorriso besta,

Com o passarinho que se banha na fonte

da praça, todo prosa,

Depois se estica ao sol na cabeça de uma

estátua de Rui Barbosa!

 

Cá dentro de mim, sou assim!

Enquanto a casca eu mostro sério.

Não sou eu !

Ah, pudessem ver o meu avesso, colegas meus!

 

Isto é coisa para amigo,

Olhar o avesso da gente...

Para poucos,

Enxergar o sorriso da minha alma contente.

 

Cá dentro sou o menino

que se escondeu !

Para muitos

sou aquele que não sou eu!

 

 

 

SOU EU!

 

(Rose Mori)

 

 

Foi de tanto rirem da criança

e de suas diabruras inocentes,

tal como andar descalça na chuva

com a saia levantada

presa entre as mãos...

Foi de tanto zombarem

de sua pueril tagarelice,

sempre que se encantava

com as cores do arco-íris,

com o prisma dos cristais,

com o entrelaçado de pétalas

de uma flor,

com o gorjeio dos pássaros,

querendo entender

o mistério de seu canto...

Foi de tanto pouco caso

que recebeu

ao contar seus sonhos

mais íntimos,

onde tudo era festa,

luz...

amor...

paz...

Foi de tanto que a vida doeu,

que a menina cresceu de repente

e se tornou uma mulher

resoluta, forte, batalhadora!

Uma mulher que sabe o que quer,

quando quer

e que luta pelo que quer.

Uma mulher admirada,

respeitada e, nem sei porque,

até invejada.

Mas e a menina?

O que foi feito dela?

Ah, ela ainda existe, sim,

para malgrado de muita gente.

E está protegida

num recanto secreto do coração,

de onde só sai,

para se mostrar,

para aqueles que, assim como ela,

ainda acreditam que o amor

 é a única chave

que abre as portas da felicidade.

 

 

 

 

 

 

     
 

 

 

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Publicado em 26/05/2010