O SONHO

      (Rose Mori)

 

Roubei um sonho do tempo,

em determinado instante

em que ele estava distraído

se ocupando com outras vidas.

E vivi esse sonho

com a intensidade realística

dos que sabem que o presente

pode ser o último dia.

Suguei desse sonho

toda a doçura do mel

como se fosse o próprio favo

retirado com cuidado

da colméia alvoroçada.

Minha alma se deitou

sobre esse sonho,esparramando-se,

como se ele fosse um colchão de nuvens

pousado no céu

e descansou de todos os pesadelos.

Sentei-me à sombra desse sonho,

ociosamente,

e contemplei o rio da vida

seguir seu curso...

E, pude, então,

sentir o gostinho da felicidade.

Mas o tempo não pára.

Segue lépido como o vento

em direção ao futuro desconhecido.

E nessa desenfreada corrida,

recuperou o sonho roubado

e levou consigo

todas as esperanças.

Mas enganei o tempo.

- ele pensa que me levou tudo -

 Ficaram comigo as recordações

que hoje preenchem o espaço vazio

em meu coração.

Ficou a certeza,

quase orgulhosa,

de que consegui roubar

um sonho do tempo

e  que, se o fiz uma vez,

quem sabe conseguirei novamente?

É só uma questão de tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

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Publicado em 28/12/2008