RESTOS MORTAIS DO AMOR

 

                        Rose Mori

 

Olho para você aí,

estendido, imóvel

e fico me perguntando como pode,

de repente,

o que era tão cheio de vida,

tão intenso, tão palpitante,

se tornar essa coisa inanimada,

sem viço, patética, até!

Lágrimas inundam meus olhos

 e escorrem pelos vincos da face

ao recordar nossos momentos.

Você,

companheiro de todos os instantes,

 que com apenas um leve roçar

me transportava às alturas.

Um simples beijo seu

era suficiente para que eu me sentisse

a pessoa mais feliz da face da terra.

Tudo era vida.

E vida era tudo

o que tínhamos para compartilhar.

E hoje, magoada e triste,

te contemplo assim, inerte, frio,

prisioneiro dos braços

da morte inexorável.

Por isso choro.

Devo sepultar seus restos mortais,

mas não há coragem suficiente para isso...

 não há pressa em meu gestos,

 porque depois encerrá-lo no sepulcro,

do qual jamais  voltará,

nada será tudo o que terei,

 Amor,

porque você era tudo para mim!

Você era a própria vida!

Mas que bobagem estou dizendo!

Como posso lhe enterrar,

Se meu coração ainda palpita?

Se, à  simples menção

De  seu nome,

Amor,

todo meu ser estremece?

É... não tem jeito mesmo!

Eu só posso enterrá-lo em meu pensamento,

porque no dia em que você

de fato morrer,

também eu terei deixado de existir.

 

 

 

Música: Lonely Sheperd - Nana Mouskoury & Zamphir

 

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Publicado em 26/01/2009