O homem triste caminhava com lentidão, abatido, pela senda, embora a festa do Dia em som e cores deslumbrantes. Atraído por leve falena colorida, explodiu, em consideração queixosa:

- Tão insignificante quão frágil, todavia, tão bela!… Que fizeste para librar ditosa nas correntes aéreas?

A borboleta, atraída pelo apelo, respondeu, sem rebuços:

- Transformei-me de lagarta rastejante em flor que vibra, flutuando na atmosfera. Suportei a limitação como verme, a dificuldade que me fazia asquerosa e perseguida, aguardando, confiante, o sono que viria e do qual Alguém me despertaria para a vida. Agora, superadas as aflições, sou feliz.

Diante disso, a alma sofredora compreendeu que a felicidade de planar acima do lodo e do pó somente é possível depois do milagre da hibernação. Sorriu e continuou, recordando-se de que, apesar da agonia que a tomava, acima de tudo, Deus vela.

Da noite arranca o dia e da morte traz ressurreição luminosa, transformando a vida.

Do livro “No longe do jardim”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Eros

 

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Publicado em 22/09/2011